21/08/2015 16:59 - Atualizado em 21/08/2015 16:59

Torcedor barrense do Bangu recupera camisa histórica do time

Apelo de Arílson de Oliveira chegou até mesmo à TV

 

Talita Affonso

 

  O que pode mensurar a paixão de um torcedor por seu time de coração? Ter a casa roubada e pedir apenas que lhe devolvam algo que esteja perto de poder medir este sentimento? Tentar solucionar estes questionamentos pode fazer com que surjam mais dúvidas, entretanto, um pouco do que pode significar amar um time pode ser respondido com a história do comerciante Arílson de Oliveira, dono de uma padaria e ex-jogador de futebol.

  Torcedor fanático do Bangu Atlético Clube (que decidiu seguir o alvirrubro após a boa campanha do ano de 1985, em que o time foi vice-campeão carioca e brasileiro, ficando atrás apenas de Fluminense e Coritiba, respectivamente), ele teve sua história contada no programa “Globo Esporte”, em fevereiro de 2013. Pouco tempo antes, ele tivera a casa, no bairro Oficina Velha, furtada, tendo sido levada, inclusive, sua coleção de camisas do time.

  O ladrão levou, além das camisas, a TV, um relógio, um aparelho de DVD e outras roupas; Arilson, então, colocou na frente da residência, uma faixa com os dizeres: “Senhor ladrão que roubou minha casa, pode ficar com tudo que roubou. Só devolva as camisas e a bandeira do Bangu”, completando que até mesmo pagaria pelos itens banguenses.

   No entanto, um deles era ainda mais especial: a camisa do centenário do Alvirrubro, datada de 2004. “O uniforme tem todo um significado especial, porque foi um presente de aniversário de meu pai. Ele já é falecido e, assim, aquela camisa tem todo um valor para mim”, emociona-se Arilson, que perdeu o pai em 2011.

 

A casualidade e a afinidade

  Antes do uniforme centenário, ele pôde reaver outro item de seu acervo banguense: sua esposa, a indonésia Ernawati, encontrou na rua um senhor com uma camisa do Bangu. “Ela foi até ele, perguntou se ele torcia para o Bangu e comentou sobre minha história. O senhor estava para se aposentar, ficou comovido e me devolveu a camisa, deixando claro que não havia sido ele quem roubou”, lembra o torcedor.

  Entretanto, foi após um post em um blog dedicado a curiosidades de times considerados pequenos que a sorte de Arílson virou. “O jornalista responsável pelo blog, Rafael Azevedo tem este trabalho dedicado apenas a pesquisas de times pequenos. Ele soube e conheceu um rapaz chamado Leandro Quintanilha, que é torcedor do Goytacaz (da cidade de Campos dos Goytacazes), que ficou sensibilizado com minha situação”, conta o comerciante.

  O encontro entre os torcedores aconteceu há pouco tempo, no Rio de Janeiro. “Nos encontramos, duas semanas atrás e, quando ele me deu a camisa, fiquei emocionado e satisfeito. Foi como quando recebi o uniforme de meu pai”, recorda, novamente emocionado, Arílson.

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