17/07/2015 15:39 - Atualizado em 17/07/2015 15:39

Estado registra menor índice de homicídios dolosos em 24 anos

Estado/Barra do Piraí – O Instituto de Segurança Pública divulgou que, em todo o estado, o Rio de Janeiro apresentou queda em 90% entre os números. Destaque para os homicídios dolosos, que registraram diminuição de 22,9%, passando de 2.726, em 2014, para 2.101, em 2015. Exceto em roubo homicídio decorrente de intervenção policial, que apresentou aumento, todos os demais indicadores tiveram redução.

  A redução mais significativa no acumulado deste primeiro semestre ocorreu na Baixada Fluminense: foram 297 casos a menos, em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de janeiro a junho de 2015, foram registrados 2.104 homicídios no estado do Rio de Janeiro, o que representa uma queda de 22,8%. São menos 622 mortes contabilizadas na comparação com o mesmo período do ano anterior.

  O governador do estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), comemorou os dados e chamou de “dia histórico” o documento apresentado pelo ISP. Ele admitiu que existe um longo caminho a percorrer, muito a fazer para tirar esta sensação de insegurança que ainda existe. 

  “São seis meses de redução de todos os índices. Isso mostra que tem um caminho para a segurança pública e vamos persegui-lo obstinadamente, cortando na carne quando precisar cortar, mas também agradecendo a esses 49 mil policiais militares e 11 mil civis que estão permitindo a redução desses índices. A gente tem que olhar para trás, há 20, 30 anos, e ver quantas pessoas morriam dentro das comunidades, como a Providência, e comparar com o que temos aqui hoje”, complementou Pezão.

  Além dos homicídios dolosos, junho de 2015 também teve números positivos no índice de roubos a pedestres, com 4.446 registros. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, foram menos 2.270 casos. No acumulado de janeiro a junho, a redução foi de 33,8%, na comparação com mesmo período do ano passado.

  O índice de letalidade violenta, que é a soma de homicídio doloso, latrocínio, homicídio decorrente de intervenção policial e lesão corporal seguida de morte, também apresentou, em junho de 2015, o menor número de toda a série histórica. Foram 334 casos no estado, 107 a menos do que o registrado no mesmo período do ano passado.

  A íntegra dos índices oficiais do estado referentes ao mês de junho de 2015 estão disponíveis no site do ISP (isp.rj.gov.br/dadosoficiais.asp).

 

Resumo de alguns indicadores (janeiro a junho em todo o estado): 

 

  • Homicídio doloso - Redução de 22,9%
  • Letalidade violenta - Redução de 18,2%
  • Roubo de Rua - Redução de 7,3%
  • Roubo a pedestre - Redução de 33,8%
  • Roubo a estabelecimento comercial - Redução de 24,1%
  • Roubo de veículo - Redução de 13,0%
  • Homicídio decorrente de intervenção policial – Aumento de 21,3%
  • Estupro - Redução de 17,0 %

 

Tijolo por tijolo

 

Felipe Santa Cruz 

 

  O sentimento de tempos ruins é mundial. Está no ar, vem da instabilidade econômica, do preço do petróleo, da falta de credibilidade da política. E esse sentimento recrudesceu no Rio de Janeiro. Uma crise de pessimismo espalha-se pela cidade, especialmente depois dos reiterados esfaqueamentos ocorridos no Estado.

  Estes crimes, por sua simbologia, contaminaram o ambiente, tomaram conta das conversas. É hora, contudo, de parar para enxergar saídas. O Rio de Janeiro não pode sofrer ainda mais. Não podemos desconstruir um modelo de segurança pública que está no caminho certo, embora ainda precise ser muito aprimorado. Ninguém quer de volta um Rio tutelado pelo tráfico, com uma polícia completamente destreinada e territórios verdadeiramente abandonados pela política de segurança.

  A realidade é difícil, mas temos de olhar o passado para percebermos o quanto progredimos nos últimos anos. Hoje, observamos uma Polícia Civil mais equipada, com um corpo pericial, investigações mais modernas e o uso mais eficiente da informática. Em breve, cidadãos - em especial, os advogados - poderão demandar boa parte dos atendimentos da Polícia Civil através do site da própria polícia. Realidade impensável há poucos anos e que começou a ser transformada a partir do projeto da Delegacia Legal, chegando hoje à moderna Cidade da Polícia.

  Comparados os números de maio de 2015 com os do mesmo mês de 1991, vê-se que os homicídios caíram quase pela metade (344 contra 650, respectivamente) em nosso Estado, segundo o ‘Mapa da Violência’ do Instituto de Segurança Pública. Em relação a maio de 2014, também foram registradas quedas nos índices de roubos de veículos (-20,1%) e de transeuntes (-22,3%), só para citar alguns dos mais sensíveis no cotidiano da população. E por falar da polêmica sobre armas brancas, devemos lembrar também que o Rio é o Estado que menos se mata com facas e peixeiras em todo o Brasil.

  A Polícia Militar não avançou tanto, que o diga o drama ainda encoberto dos autos de resistência, mas basta rever as imagens do ônibus 174, há pouco mais de uma década, para observar que o Bope de então não possuía nem mesmo coletes à prova de bala.

  Nem tudo é uma maravilha, mas avançamos. Isso é inegável.

  Não aceito entrar na "onda" de que o Rio é o pior lugar do mundo para se viver, como alguns, infelizmente, já voltam a falar. Moramos em um Rio de Janeiro beneficiado pela política do petróleo, por uma política correta de reconstrução do Estado e pela democracia. Uma cidade às vésperas de realizar o maior evento esportivo do mundo.

  Temos de continuar o caminho de repactuação contra a violência, do desarmamento, da retomada institucional das comunidades pelo Estado. E cobrar deste mesmo Estado políticas sociais efetivas de inclusão da população carente. Isso não depende só do Estado, depende também da sociedade.

  Não podemos deixar de acreditar na perspectiva histórica de evolução "tijolo por tijolo". Não há solução mágica e já está mais do que na hora de superar a síndrome do “vai dar errado”. É urgente sustentar essa reconstrução com atitude e discurso responsável. O hoje é melhor que o ontem e o amanhã será melhor ainda. Devemos seguir em frente.

 

Felipe Santa Cruz é presidente da OAB/RJ

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